Ela acordou
pra mais um dia e isso ainda era difícil. Os dias passavam arrastados, todo
segundo planejando mover sua vida, por que se parasse por um segundo, ela
desabaria.
Ela se
sentia sozinha, só havia passado 1 mês e alguns dias, mas ela não estava
acostumada com a solidão, mesmo não estando exatamente sozinha. De certo modo
este estado era mais tranquilo, feliz e pacificador, mas o vazio não podia
passar despercebido. Ela se sentia vazia e sabia pelo que esperava...
Ela passou
meses e meses acreditando ter enfim encontrado o amor, esse amor se mostrou
como algo terrivelmente doloroso, mas ela insistiu nele por ser a coisa mais
próxima do amor que podia ter.
Desde
pequena, tudo que ela sempre sonhou era o amor. Os filmes favoritos? Todos
romances. Sempre se apegou a contos de fadas, fantasias românticas... Como ela
queria conhecer o amor!
Nenhum dos hematomas adquiridos
poderiam ser mais dolorosos do que a certeza de não ter conhecido este
esplendor, este querer, este amar.
Ela guardou
um rancor profundo, que foi libertando pouco a pouco em pedacinhos quase
microscópicos. Ela, uma pessoa sem medos, adquiriu alguns e sua lista foi
crescendo. A ilusão despertava desespero. O amor inventado, a angústia.
Sonhos
Os sonhos,
não eram exatamente sonhos. No cansaço, quando se pegava sozinha deitada na
cama, olhando as paredes sem ver, tudo que ela queria era fugir. A dificuldade
de pegar no sono crescia a cada noite. Ela fechava os olhos e deixava-se levar
em devaneios intensos, quase sempre os mesmos. Ela fugia, corria, voava,
encontrava novos mundos e novas pessoas.
Quando
finalmente o sono lhe abatia, quando se encontrava a um fio do descansar
inconsciente, o mesmo rosto lhe “assombrava”. A cena se repetia toda noite,
virou uma rotina um tanto eficaz para sua sonolência aparecer enfim.
Os olhos
verdes em um olhar suplicante, os cabelos longos se misturando à barba, as
curvas da boca sempre ansiando em dizer, porém mantinha-se o silêncio. Não
precisava ser dito. Ele a chamava assim como ela o chamava. A súplica era
recíproca. O desejo era inevitável.
O sentimento
que ele a passava era de amor, o amor que sempre construía em seus sonhos. O
amor que nunca conhecera. O amor que tanto esperava... Depois de algum tempo
sozinha, pensava: Se de amor lhe falava, era amor quem ele era. Então lhe dera
o nome Roma, nada mais que “Amor” de trás para frente.
Estava ela ficando louca? A solidão
estava fazendo com que ela perdesse a consciência entre o real e o fantasioso?
Mas o que ela tinha a perder afinal?
Roma
Sua melhor
amiga estava encantada, apaixonou-se enfim, mas não diria quem era. Um tal
anjo, ela dissera. Enquanto sua amiga narrava
seus fatos amorosos, ela pensava todos os dias o quanto queria que seus sonhos
fossem reais.
Andavam por
corredores frios, a esperança quase escassa, o mundo não lhe fazia graça.
Desciam rampas, mas espera... que lhe perdera o fôlego.
Quem vinha
lá? Pudera ser? Estava alucinando afinal, sonho ou realidade? Ela se
perdera. Não se lembrava de ter ido se
deitar, já era noite?
Recuperou as
forças das pernas e punha-se a andar. Não podia ser! Seus olhos a enganavam,
ela pensava. Então voltaram apressadamente e ela viu o amor passar ao seu lado
a passos soltos, distraídos e perdidos.
Inspira e expira... não
devia ser automático? Parecia que todas as estimulações internas de seu corpo
paravam de funcionar.
Abstrai... abstrai...
abstrai... Já não importa qual codinome se impõe, não importa quem seja,
acreditava que jamais seus caminhos se cruzariam de tal forma.
A chance bate a porta
Muitos dias
se passaram e enfim uma chance lhes foi dada. Um primeiro momento... direto,
mas nem tanto. Os dois punham-se em uma roda de amigos: Ele jogando palavras ao
vento, distribuindo sorrisos e fazendo graça, causando uma risada generalizada.
Ela estava
ali por ele, olhava-o com admiração, sentindo como se algo a estivesse atraindo
para perto dele. Desejou que este momento jamais acabasse, porém ao vê-lo
deixar o recinto, causou-lhe uma impressão infeliz e medíocre.
Ela esperou
eternos dias e longos meses... Seu Roma estava lá, em qualquer lugar, mas sua
existência era clara.
Foi cansativo, ela
talvez tenha se esquecido da sensação. Envolveu-se em outras histórias, que
enfim partiram seu coração.
Quem estava lá para
ampará-la? Quem a sustentou quando se pusera a cair? Não pode ser, mas
novamente? Seu Roma veio intervir.
Os dias se passaram,
seu coração se curou. Foi a vez dele, quem então desabou.
Quem estava lá? Quem
foi ampará-lo? Não pode ser, é verdade! Viva, singela reciprocidade!
A
consideração e confiança foi crescendo pouco a pouco, a perfeição idealizada
foi desmascarada. Ela percebeu o complexo de seu ser, a forma como era
preenchido de defeitos e qualidades. Foi quando ela caiu em um eterno
apaixonar.
Ele era de
verdade, palpável, tangível. Nenhum príncipe encantado da Disney, mas talvez
esse tenha sido um dos medos adquiridos.
Ela tinha
medo do amor inventado, do ser “perfeito”, ela tinha medo de ser quebrada
novamente. Ao descobrir o quão real ele era, antes que pudesse tomar qualquer
outra medida, o apaixonar foi se desenvolvendo.
Ela se
preocupou verdadeiramente e tinha sua felicidade como reflexo da felicidade e
bem estar dele. Ela buscava dar o seu melhor todos os dias e tentava ao máximo
ajudá-lo. Engoliu diversas vezes suas dores, buscando forças para sustentar as
dele. As circunstâncias a fizeram desenvolver virtudes que antes não possuía.
Ele, de certa forma, a completou de uma boa maneira.
Ela o amou.
Não um amor 100% puro, mas o amor mais próximo da pureza que ela poderia ter.
Ela o amou de um jeito imperfeito, mas que nunca deixou de ser amor. Afinal, o
fato de ser imperfeita a fazia ter sentimentos imperfeitos. Ela o amou da
melhor forma que alguém imperfeito poderia amar.
Por amor ela
desenvolveu a paciência e compreensão, a solidariedade e caridade. Por amor,
suportou, calou, sustentou e teve medos.

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