segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Uma dose de sinceridade

 

Ela acordou pra mais um dia e isso ainda era difícil. Os dias passavam arrastados, todo segundo planejando mover sua vida, por que se parasse por um segundo, ela desabaria.

Ela se sentia sozinha, só havia passado 1 mês e alguns dias, mas ela não estava acostumada com a solidão, mesmo não estando exatamente sozinha. De certo modo este estado era mais tranquilo, feliz e pacificador, mas o vazio não podia passar despercebido. Ela se sentia vazia e sabia pelo que esperava...



Ela passou meses e meses acreditando ter enfim encontrado o amor, esse amor se mostrou como algo terrivelmente doloroso, mas ela insistiu nele por ser a coisa mais próxima do amor que podia ter.

Desde pequena, tudo que ela sempre sonhou era o amor. Os filmes favoritos? Todos romances. Sempre se apegou a contos de fadas, fantasias românticas... Como ela queria conhecer o amor!

Nenhum dos hematomas adquiridos poderiam ser mais dolorosos do que a certeza de não ter conhecido este esplendor, este querer, este amar.

Ela guardou um rancor profundo, que foi libertando pouco a pouco em pedacinhos quase microscópicos. Ela, uma pessoa sem medos, adquiriu alguns e sua lista foi crescendo. A ilusão despertava desespero. O amor inventado, a angústia.


Sonhos

Os sonhos, não eram exatamente sonhos. No cansaço, quando se pegava sozinha deitada na cama, olhando as paredes sem ver, tudo que ela queria era fugir. A dificuldade de pegar no sono crescia a cada noite. Ela fechava os olhos e deixava-se levar em devaneios intensos, quase sempre os mesmos. Ela fugia, corria, voava, encontrava novos mundos e novas pessoas.

Quando finalmente o sono lhe abatia, quando se encontrava a um fio do descansar inconsciente, o mesmo rosto lhe “assombrava”. A cena se repetia toda noite, virou uma rotina um tanto eficaz para sua sonolência aparecer enfim.

Os olhos verdes em um olhar suplicante, os cabelos longos se misturando à barba, as curvas da boca sempre ansiando em dizer, porém mantinha-se o silêncio. Não precisava ser dito. Ele a chamava assim como ela o chamava. A súplica era recíproca. O desejo era inevitável.

O sentimento que ele a passava era de amor, o amor que sempre construía em seus sonhos. O amor que nunca conhecera. O amor que tanto esperava... Depois de algum tempo sozinha, pensava: Se de amor lhe falava, era amor quem ele era. Então lhe dera o nome Roma, nada mais que “Amor” de trás para frente.

Estava ela ficando louca? A solidão estava fazendo com que ela perdesse a consciência entre o real e o fantasioso? Mas o que ela tinha a perder afinal?


Roma

Sua melhor amiga estava encantada, apaixonou-se enfim, mas não diria quem era. Um tal anjo, ela dissera.  Enquanto sua amiga narrava seus fatos amorosos, ela pensava todos os dias o quanto queria que seus sonhos fossem reais.

Andavam por corredores frios, a esperança quase escassa, o mundo não lhe fazia graça. Desciam rampas, mas espera... que lhe perdera o fôlego.

Quem vinha lá? Pudera ser? Estava alucinando afinal, sonho ou realidade? Ela se perdera.  Não se lembrava de ter ido se deitar, já era noite?

Recuperou as forças das pernas e punha-se a andar. Não podia ser! Seus olhos a enganavam, ela pensava. Então voltaram apressadamente e ela viu o amor passar ao seu lado a passos soltos, distraídos e perdidos.

Inspira e expira... não devia ser automático? Parecia que todas as estimulações internas de seu corpo paravam de funcionar.

Abstrai... abstrai... abstrai... Já não importa qual codinome se impõe, não importa quem seja, acreditava que jamais seus caminhos se cruzariam de tal forma.




A chance bate a porta

Muitos dias se passaram e enfim uma chance lhes foi dada. Um primeiro momento... direto, mas nem tanto. Os dois punham-se em uma roda de amigos: Ele jogando palavras ao vento, distribuindo sorrisos e fazendo graça, causando uma risada generalizada.

Ela estava ali por ele, olhava-o com admiração, sentindo como se algo a estivesse atraindo para perto dele. Desejou que este momento jamais acabasse, porém ao vê-lo deixar o recinto, causou-lhe uma impressão infeliz e medíocre.

Ela esperou eternos dias e longos meses... Seu Roma estava lá, em qualquer lugar, mas sua existência era clara.

Foi cansativo, ela talvez tenha se esquecido da sensação. Envolveu-se em outras histórias, que enfim partiram seu coração.

Quem estava lá para ampará-la? Quem a sustentou quando se pusera a cair? Não pode ser, mas novamente? Seu Roma veio intervir.

Os dias se passaram, seu coração se curou. Foi a vez dele, quem então desabou.
Quem estava lá? Quem foi ampará-lo? Não pode ser, é verdade! Viva, singela reciprocidade!

A consideração e confiança foi crescendo pouco a pouco, a perfeição idealizada foi desmascarada. Ela percebeu o complexo de seu ser, a forma como era preenchido de defeitos e qualidades. Foi quando ela caiu em um eterno apaixonar. 

Ele era de verdade, palpável, tangível. Nenhum príncipe encantado da Disney, mas talvez esse tenha sido um dos medos adquiridos.

Ela tinha medo do amor inventado, do ser “perfeito”, ela tinha medo de ser quebrada novamente. Ao descobrir o quão real ele era, antes que pudesse tomar qualquer outra medida, o apaixonar foi se desenvolvendo.

Ela se preocupou verdadeiramente e tinha sua felicidade como reflexo da felicidade e bem estar dele. Ela buscava dar o seu melhor todos os dias e tentava ao máximo ajudá-lo. Engoliu diversas vezes suas dores, buscando forças para sustentar as dele. As circunstâncias a fizeram desenvolver virtudes que antes não possuía. Ele, de certa forma, a completou de uma boa maneira.

Ela o amou. Não um amor 100% puro, mas o amor mais próximo da pureza que ela poderia ter. Ela o amou de um jeito imperfeito, mas que nunca deixou de ser amor. Afinal, o fato de ser imperfeita a fazia ter sentimentos imperfeitos. Ela o amou da melhor forma que alguém imperfeito poderia amar.


Por amor ela desenvolveu a paciência e compreensão, a solidariedade e caridade. Por amor, suportou, calou, sustentou e teve medos. 

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