sábado, 21 de fevereiro de 2015

Afogar


Há tempos meus pulmões voltaram a funcionar
Há tempos que eu posso finalmente respirar 
Mas eu venho me afogando, afogando, afogando...

Fui capaz de recolher toda a luz do mundo para iluminar teu céu 
Recebi cada picada de abelha para te dar o teu mel 
Abri mão do ouro da terra e assim me recolhi em véu.

Buscaria os ventos dos quatro cantos do mundo em verso 
Contaria cada onda proveniente do mar espesso 
Descobriria novas estrelas para preencher teu universo.

E sob as estrelas a refletir, eu iria 
Sem hesitar, com você, eu iria 
Sem ponderar ou mediar, eu iria 
Com você, me afogar, eu iria.

Eu te vi perder o ar e me joguei 
Você olhava outro horizonte, eu enxerguei
Eu persisti, gritei, chorei, lutei 

Você apenas ouvia os gritos dos mortos 
Eu lhe entreguei a luz e você olhou os corpos 
Já eram dois, enfim, como pratos e copos.

Sem esperança, eu vi 
Que já dois, não mais um
Não mais um, mas dois.

E sob as estrelas à refletir,  eu iria 
Sem hesitar, com você,eu iria
Sem ponderar ou mediar, eu iria
Com você, me afogar, eu iria.

E quando finalmente meus pulmões funcionavam
Quando há tempos, enfim, respiravam 
Nós nos afogamos, afogamos, afogamos...

-Carol Lira

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