Há tempos meus pulmões voltaram a funcionar
Há tempos que eu posso finalmente respirar
Mas eu venho me afogando, afogando, afogando...
Fui capaz de recolher toda a luz do mundo para iluminar teu céu
Recebi cada picada de abelha para te dar o teu mel
Abri mão do ouro da terra e assim me recolhi em véu.
Buscaria os ventos dos quatro cantos do mundo em verso
Contaria cada onda proveniente do mar espesso
Descobriria novas estrelas para preencher teu universo.
E sob as estrelas a refletir, eu iria
Sem hesitar, com você, eu iria
Sem ponderar ou mediar, eu iria
Com você, me afogar, eu iria.
Eu te vi perder o ar e me joguei
Você olhava outro horizonte, eu enxerguei
Eu persisti, gritei, chorei, lutei
Você apenas ouvia os gritos dos mortos
Eu lhe entreguei a luz e você olhou os corpos
Já eram dois, enfim, como pratos e copos.
Sem esperança, eu vi
Que já dois, não mais um
Não mais um, mas dois.
E sob as estrelas à refletir, eu iria
Sem hesitar, com você,eu iria
Sem ponderar ou mediar, eu iria
Com você, me afogar, eu iria.
E quando finalmente meus pulmões funcionavam
Quando há tempos, enfim, respiravam
Nós nos afogamos, afogamos, afogamos...
-Carol Lira

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