sexta-feira, 16 de maio de 2014

Esconda-se


Nos canteiros escuros da cidade
Atrás de lixões em ruas isoladas
Prédios se erguem esperando por seus crimes
Outro assassinato se esgueirando pelas frechas das portas 
E pelas cortinas cobrindo as vidraças.
Mas vc poderia vê-la facilmente parada na janela
Algo se movendo devagar em seu pescoço
Ela está perdendo o ar desta vez.
Suas mãos no meu pescoço
Eu consigo sentir seu ultimo suspiro.

Corra, ainda há tempo.
Ninguém o viu entrar.
São uma da manhã
E agora ele está no quarto.
Ele a levou pra cama
Mas ela já não conseguia respirar!
Ele a tomou nos braços
Com sua vida nas mãos,
Ele a viu se perder para se reencontrar.
Não faça barulho
Não os faça acordar.
Atrás da porta
Esconda-se, mas ninguém o viu entrar.
Oh, querido por que  fez isso?
Suas mãos em meu pescoço,
Você está tomando meu ar.

Suba os degraus lentamente e não os alerte.
Sufocando seus gritos,
Eu a vi enlouquecer.
Por quanto tempo irá aguentar?
Preste atenção nos passos alheios,
Ruídos passam a ecoar.
Corra, não há nada a se ver,
Corra e tome a inocência que finge ter.

Pois são uma da manhã
E agora ele está no seu quarto.
Ele a levou pra cama
Mas ela já não conseguia respirar.
Ele a tomou nos braços,
Com sua vida nas mãos.
Ela estava se perdendo pra se reencontrar.
Corra que já é hora
Outras cantigas vão soar.
As cantigas de criança se foram,
Para a sua indecência perdurar.
Cubra seus segredos no manto
E ore para que ninguém os encontre.
Pois ele a tomou nos braços,
Para que ela se reencontre.

-Carol Lira

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