domingo, 18 de janeiro de 2015

124 dias com você


Nunca sabemos como os dias se sucederão
Então agradeço pelos méritos e auxílios do presente.
A vida é feita de pequenos momentos
Pergunto-me quantos já perdi...
A mesma estrela tão brilhante me fita em um radiar intenso e constante
A visão que me amplia ao seu piscar é de certo modo fascinante
Dono de uma beleza irrefutável
Prendi-me num pensar inabalável.

Ah como gostaria!
Se compartilhar tal visão do mundo
O universo, talvez, por-se-ia nas palmas de nossas mãos.
E como adoraria se ao menos fosse possível fazerdes dos momentos e lugares notórios ao universo, caber nesta mesma noção.

Sentimentos meus! Tudo o que sinto tão intensificado.
Sentado em um canto com os olhos vidrados
Além das janelas ou acima do telhado
No frio da noite, no muro, em tantos retalhos.
Ah, como queria poder compartilhar desse sentir inimaginável.
Fazer ver a beleza do mundo de um ser a parte e inalcançável
Um narrador em terceira pessoa
Um escritor em que os versos perdoa
Alguém que só quer e está para ver o mundo a qualquer garoa.

Pois então, quem sabe até um observador precise de alguém.
Por que tudo visto torna-se frio, solitário, digno de ninguém.
É como olhar no espaço na vertical, sem ninguém em canto algum,
Só você, o escuro espaço e a imensidão azul.

Então o vazio persiste e na lógica se perde no existir.
Dessa imensidão negra que nos cobre sem fazer-nos inferir
Olhar-se o espaço, a solidão pode insistir.
Como também aproxima, completa e nos faz concluir.
Faz-te sentir o nada ou parte de algo maior a nos atribuir.

Questionamentos, sentidos, limites e o fim.
Tudo mexe os sentimentos que se confundem a mim
A estrela permanece intacta a me fitar
E as respostas não me parecem elucidar.

Sinto que há mais do que o céu e a terra,
Do que posso ver ou ouvir
Do que posso conhecer e aprofundar
Ou até mesmo para onde consigo ir
O mistério me encanta, fascina e arrepia.
De tudo ainda quero descobrir.

Um dia estarei ao lado dessa estrela que me olha tal donzela
Mas se a vida são momentos, afinal,
Nada custa de fato devolver olhares a ela.

Bruno Carvalho Pereira Campos 
e Carolina Lira de Azevedo.



*Esse poema foi feito com uma pessoa muito importante pra mim, e já existe há bastante tempo. A questão por nunca ter sido postado antes, é pelo simples fato de nunca conseguirmos pensar em um título pra ele. Hoje refletindo sobre a escrita, sobre o tempo e sobre ele e eu, percebo o quanto as coisas mudaram, o quanto nos doamos e tentamos melhorar. De fato não se passaram tanto tempo, mas aproveitamos todo o tempo que nos foi dado, desfrutando cada dia o estar e o permanecer, igualmente solidários um com o outro, buscando o melhor no eu e você. Então foi pensando nesse tempo e nessas mudanças que escolhi esse título, não porque ele esteja de acordo com o conteúdo do poema, mas porque nos remete a lembrança de nós dois e nossas mudanças. O título não foi escolhido para chamar atenção de terceiros, mas para chamar nossa própria atenção. Foram 124 dias que se passaram, 124 dias que nos foi dado para melhorar, 124 dias que temos um ao outro nos amparando e ajudando. Os melhores e mais intensos dias que já permiti viver. Apenas 124 dias com você.*

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