quarta-feira, 5 de março de 2014

Deus e o infinito


Deus é infinito em suas perfeições, mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo pela coisa propriamente dita e definir uma coisa ainda não conhecida por outra que também não é.
Para crer em Deus, basta lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; portanto, existe uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e pretender que o nada pôde dar origem a algo.
O que pensar da opinião que atribui a formação primeira a uma combinação fortuita da matéria, em outras palavras, ao acaso?
A harmonia que rege as forças do Universo patenteia combinações e desígnios determinados, e , por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria insensato, pois o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria o acaso.

Julga-se o poder de uma inteligência por suas obras. Já que nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primeira é, portanto, uma inteligência superior à humanidade. Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, essa inteligência tem uma causa e quanto maior for o que ela realizar, maior deve ser a causa primeira. É essa inteligência a causa primeira de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a tenha designado.

Deus é eterno. Se tivesse tido um inicio, teria saído do nada, ou então teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.
Deus é imutável. Se fosse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.
Deus é imaterial. Isso quer dizer que sua natureza difere de tudo o que chamamos de matéria. Caso contrário, Ele não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria.
Deus é único. Se existissem diversos deuses, não haveria nem unidade de propósitos, nem unidade de poder na ordem do Universo.
Deus é todo-poderoso, porque é único. Se Ele não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas, e as que não tivessem sido feitas por Ele seriam obra de outro deus.
Ele é soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela tanto nas menores coisas como nas maiores, e essa sabedoria não nos permite duvidar nem de sua justiça nem de sua bondade.
         - O livro dos Espíritos.

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